Relembrando: DEMOS Corporation

A VERDADEIRA missão impossível!

Fuçar o passado do RPG no Brasil não é nada fácil. Muito do que foi escrito nos idos dos anos 90 se encontra perdido dos meios digitais, sendo encontrado apenas em alfarrábios amarelecidos conhecidos como “Dragão Brasil”, a maior e melhor (e por vezes, única) revista de RPG Brasileira. E algumas das lendas que lá encontramos não são nada agradáveis…

Uma dessas lendas é o DEMOS Corporation, um RPG de espionagem que tem o mérito de ser o terceiro sistema genuinamente brasileiro (veio depois do Tagmar e do Desafio dos Bandeirantes). Filho único da Venture Editora LTDA, DEMOS CORP foi assinado por Tarquinio R. M. Teles (não é parente daquele outro!) e Mauricio Cassanelo Amaral (parece com outro nome de autor de RPG, não?).

De acordo com as duras pequisas que fiz, DEMOS era um RPG que apresentava um cenário bem interessante e inovador para o ano de 1995:  Os personagens faziam parte da Corporação Demos, encarregada de realizar grandes feitos de Espionagem de alto nível, e isso bem antes de Tom Cruise aparecer como Ethan Hunt nas telas de cinema.  Possuía capa dura não tão ruim, como podem ver na imagem acima, e um formato que seria copiado sem querer pelo Star Wars Saga Edition 15 anos mais tarde, meio quadrado. Some-se a isso ilustrações acima da média, e temos um RPG brazuca inovador, anos à frente de seu tempo.

Mas o pioneirismo não parou aí, que pena…

Rezam as lendas envolvendo DEMOS CORP (que não posso confirmá-las, pois só vi esse livro na minha frente uma única vez, numa livraria em Fortaleza, em 1997,  e nem o abri) que os autores dele era estudantes de Engenharia, assim como todos os jogadores do seu grupo; Portanto, nada mais natural do que criar um RPG que fizesse amplo uso de uma ferramenta que estava sempre à mão dos jovens universitários: uma CALCULADORA CIENTÍFICA!

Pois é!

DEMOS CORP era simplesmente impossível de jogar para alguém que não tivesse cursado, pelo menos, Cálculo 1. Relatos contam de grupos nos quais o mestre usava uma velha e boa HP já com as fórmulas armazenadas! Resolução de combates, feitos… tudo era calculado com base da nossa querida Matemática! Algumas partes do livro eram explicados EM FÓRMULAS! Era um paradoxo tão absurdo que até mesmo seus autores admitiram posteriormente que NÃO USAVAM o sistema de jogo apresentado no livro!

Hoje em dia, DEMOS Corporation é uma relíquia dos anos 90, praticamente desconhecido do público mais jovem. Pela qualidade do cenário, não é difícil achar pela internet adaptações do jogo para D20 System, Daemon, entre outros.

Pra mim, ele tem uma função bem clara: Quando alguém vem de besteirinha afirmar que “GURPS é complicado, e tal”, minha resposta padrão é:

“Complicado, GURPS? Então você não conhece DEMOS Corporation…”

Inté!

EDIT: O leitor Rafael Filho descobriu que o Tarquinio Teles, autor do DEMOS Corp., atualmente é o CEO da Hoplon, responsável pelo MMORPG Brasileiro Taikodon. Interessante, o cara é pioneiro mesmo!

10 comentários sobre “Relembrando: DEMOS Corporation

      1. É verdade. Tinha cálculos trigonométricos para determinar a dificuldade de se acertar um tiro de acordo com o ângulo, a velocidade e a direção do alvo.

  1. Lembro que o sistema da Demos Corporation (que um amigo possui desde a época) foi mostrado em primeira mão na Superinteressante Jogos nº 1, em 1990, contando com uma aventura e um sistema simplificado de resolver ações e fazer personagens. Foi meu primeiro contato com o RPG (que eu conhecia apenas de ouvir falar) e logo eu e meu recém-formado grupo de jogadores descobrimos o quanto ele era difícil de usar – especialmente quando tentamos adaptá-lo para outros gêneros. Mas foi uma boa experiência. Perdi a conta de quantas vezes jogamos aquela mesma aventura da revista…

  2. Pois é amigo Petras,

    Infelizmente meu Demos Corporation está com nosso amigo Cláudio e não sei se ele já entregou para o Misa. Vou até cobrar do Misa para ver isso.
    Mas tirando a grande gama de cálculos a ambientação em si e a proposta do jogo eram muito boa.

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