Game of Thrones, Powered By Fate

Roupa Nova – Fate of Thrones (2ª Parte)

Game of Thrones, Powered By Fate
Game of Thrones, Powered By Fate

E eu nem vi a repercussão do primeiro post, e já estou escrevendo o segundo…

Já tem gente me perguntando o porquê de adaptar Game of Thrones para Fate. Eu decidi postar aqui – antes da gente continuar o trabalho – os motivos que me levaram a isso:

  1. Gosto de Game of Thrones;
  2. Gosto do Fate;
  3. Gosto das características sobrenaturais do cenário, que não foram muito exploradas no SFIRPG;
  4. Eu quis e pronto.

Mais uma consideração: eu nem expliquei como ficou a situação do Fast-Role D6 aqui no Zuada!. O FRD6 está passando por reformulações. Como o Fate por si só já é um sistema pronto, estou adaptando algumas mecânicas do meus sistema pra ele. De repente, sai em algum cenário meu pra Fate mesmo… Mas a verdade é que o Fate enquanto sistema trouxe várias características do FRD6 junto dele – e eu nem conheço seus autores! Não pensem que fiquei triste com isso: quando eu achei que meu sistema podia ser uma bosta completa, alguém que teve a mesma idéia que eu saiu na frente e mostrou que não; eu agora já tenho um sistema todo escrito e só preciso acrescentar algumas regras. O Fate tem sua licença aberta e qualquer um pode criar com ele. Presentão!

Vamos ao post:


Criação de Personagens

Agora que já sabemos como criar uma Casa em Fate of Thrones, vamos começar a pensar nos personagens como papéis únicos dentro do cenário. Diferente da construção de uma Casa, que utilizava as regras vistas no Fate Acelerado (com algumas modificações), o personagem de Fate of Thrones usa as regras normais descritas no Fate Core. Como ambos são grátis, você pode baixá-los aqui, em inglês:

BAIXANDO, BAIXANDO!


 

 Aspectos

Muita coisa (quase tudo) no Fate se baseia em Aspectos: se uma coisa é declarada em jogo e todos estão de acordo com isso, então ela vale. No final, temos a palavra do Mestre pra calar a boca de quem enche com regras. Fate é pra jogar, não pra ficar advogando, aviso logo!

Ao criar um personagem em Westeros, você deve definir alguns Aspectos para ele:

Conceito

Todo personagem tem um Conceito. Pode ser algo simples como Escudeiro de Jaime Lannister ou complexo como Ex-Primeira Espada de Braavos contratado para ensinar a Dança da Água em Westeros.

Problema

O Problema consiste em desenvolver um Aspecto que desafie o conceito do personagem (ou que desafie outra coisa). Pode ser algo como Ódio dos Lannister ou Dívida com os Frey ou ainda Bastardo do Rei Robert. Pense em algo interessante e converse com seu mestre a respeito. O importante é que esse Problema traga diversão e exploração do cenário!

Nome

Escolha um nome para o seu personagem. Em Westeros, osnomes parecem ser pequenas corruptelas de nomes ingleses – Petyr para Peter, Eddard para Edward, e assim por diante. se ele for um personagem de terras distantes, exóticas, seu nome pode ser algo beeem diferente, como Xharo Xhoan Daxhos (se me lembro bem), ou Syrio Forel. Uma consulta a esse anexo pode ajudá-lo a montar um bom nome. Se alguém me indicar outras boas referências, postarei aqui com prazer!

Sobrenome

Aqui a história é outra. Seu sobrenome define quem você – do bastardo ao Rei dos Sete Reinos, todo sobrenome tem uma história – até mesmo para os nomes de bastardo há um motivo.

Geralmente, um sobrenome é o nome de alguma Casa. Portanto, se seu personagem for da Casa Stark, ele possivelmente será um Stark. Ele também pode ser um vassalo e pertencer a outra Casa menor, que esteja juramentada à Casa Stark (como os Manderly ou os Karstark). Nesse caso, escolha uma Casa já existente ou crie a sua própria junto com o Mestre para definir melhor a sua história. Use as regras descritas no post anterior normalmente para criar a sua Casa!

Uma coisa interessante a dizer dos sobrenomes em Westeros é que eles podem se tornar Aspectos. Por exemplo, você se chama Bruinn Stark. Isso pode ser considerado um Aspecto em jogo. Digamos que Bruinn resolva fazer um acordo com um cavaleiro de outra Casa. Ele tenta convencer o cavaleiro e invoca seu Sobrenome: “Ei, Mestre, eu possuo credibilidade e honra por ser um Stark”. Pronto, Aspecto usado na cena. O jogador de Bruinn gasta um ponto Fate e recebe +2 em sua rolagem de Comunicação para convencer o cavaleiro!

Pode acontecer o contrário também. Digamos que você seja Cregory Storm, um bastardo em Ponta Tempestade (sobrenomes bastardos podem ser vistos aqui, na descrição de cada Reino). Um dia você vê um nobre assassinar a esposa de outro nobre e deve testemunhar. Você deve convencer a corte que sua palavra vale mais que a do nobre. No entanto, você possui um sobrenome bastardo (Storm), que pode ser um Problema para o seu personagem. O nobre sabe disso e decide invocar esse Aspecto contra você. O nobre então vai receber +2 nas rolagens de Comunicação, resistindo aos seus argumentos com frases do tipo “quem vai acreditar em um homem que se diz bastardo de Lorde Stannis, quando este nunca o reconheceu”. E por aí vai…

Fase Trio

Nessa etapa da criação vamos definir a primeira aventura do seu personagem, bem como um Aspecto ligado a ela. No Fate Core há uma explicação bem detalhada sobre isso. Falando de forma resumida, no entanto, posso dizer que você vai contar como foi a primeira aventura do seu personagem, envolvendo outros dois personagens de jogadores nela (por isso chamamos de Fase Trio). é como um prólogo do seu personagem (como o primeiro capítulo de cada personagem no Guerra dos Tronos – primeiro livro das Crônicas de Gelo e Fogo).

Não precisa ser algo longo – embora mais detalhes possam ajudá-lo na narrativa. Comece respondendo às perguntas: O que aconteceu de ruim? Foi com você e/ou outras pessoas? Como você lidou com isso? Recebeu ajuda para resolver a situação? Alguém estava contra você? Quem saiu vitorioso? Você perdeu alguma coisa?

Descreva, através dessa aventura, como você se envolveu com outros dois personagens de jogadores. Em seguida, escreva um Aspecto envolvendo essas duas situações. Novamente, conselhos do mestre aqui ajudariam bastante. O importante é conectar seu personagem ao cenário, lembre-se disso!

Apesar do Módulo Básico não pedir detalhes absurdos nesta descrição, tenha sempre em mente locais onde ocorreu o evento e os personagens envolvidos – tudo isso será de grande utilidade para ganchos de aventuras futuras.


 

Perícias

As Perícias do Fate Core são genéricas – com uma ou duas palavras, você pode usá-las para praticamente qualquer situação (ainda se combinadas com Aspectos e Façanhas). Decidi não alterá-las nesta adaptação. Em Fate of Thrones, vamos utilizar o método da Escada (Ladder):

  • Uma Perícia Espetacular (+4);
  • Duas Perícias Ótimas (+3);
  • Três Perícias Boas (+2);
  • Quatro Perícias Razoáveis (+1).

Ainda não existe uma “tradução oficial” do Fate Core. No blog do Fábio, citado no post anterior, possui boas dicas de tradução e explicações resumidas das regras de Fate Core e FAE. Portanto, estou utilizando aqui as listas traduzidas por ele em seu blog.

Nota: Ele sugere que a Perícia Condução seja substituída por Cavalgar. Podemos utilizar essa sugestão – Nossa lista possui a Perícia Cavalgar (para montar animais, inclusive dragões e outras bestas) e Condução (para o caso de carruagens, navios, etc).


 

Façanhas e Renovação

Dracarys: Um Stunt legal que a Daenerys usa mais ou menos uma vez por temporada!

 

Escolha de três a cinco Façanhas. Você tem direito a três Façanhas sem custo algum. Escolher mais uma Façanha reduz sua renovação em um ponto (e você começa com três pontos). Você não pode começar com seu Refresh em zero. Simples assim.

As Façanhas do personagem seguem as mesmas regras descritas no Fate Core. Lá já existe uma lista de Façanhas (stunts) cobrindo seus três usos gerais (Adicionar uma Ação a uma Perícia, Adicionar um Bônus a uma Ação ou Criar uma Exceção à Regra). Em um post futuro vou mostrar uma lista de Stunts referentes a Fate of Thrones, baseada nos livros e na série da HBO.


 

Stress e Consequências

Além do Stress Físico e Mental, Fate of Thrones acrescenta mais uma Stress Track para o jogo: Social.

O Stress Social é usado durante as intrigas de Westeros, sobre o qual falarei em posts futuros. O sistema de Intriga é basicamente um combate, onde existem as Quatro Ações. Uma vez que a Intriga em si é mais representativa ainda que o combate, precisaremos dar alguns exemplos adiante. Fica pra depois.

A Perícia Empatia ajuda a melhorar o Stress Social, da mesma forma que Físico e Vontade fazem com as outras Stress Tracks.


Pronto!

Como você pode ver, essas são apenas guias básicas para a construção de um personagem. Nada foi alterado do Fate para o FoT – prova da flexibilidade que o sistema possui para emular qualquer cenário de outros RPGs.

Claro, isso não quer dizer que você deva esquecer o Guerra dos Tronos RPG: é um ótimo material e as regras são adequadas para o clima de Westeros. Ainda, mesmo sendo mestre de Fate é bom dar uma olhada, pois a lista de Qualidades do RPG oficial pode lhe dar uma ótima referência para Stunts (de onde você acha que a minha lista vai sair?) e Aspectos em geral – sem contar na riqueza descritiva do material, explicando alguns fatos de Westeros e ensinando a manter a narrativa no tom das Crônicas de Gelo e Fogo. Estes posts são escritos com meu módulo básico de GdTRPG ao lado do computador para consulta (as regras de Intriga, por exemplo, são parte do módulo básico).


Espero que todos tenham gostado de mais essa adaptação para Fate of Thrones e Westeros – um cenário que todos aqui do Zuada adoram! Um bom jogo a todos e até a próxima!