Defendendo os Defensores de Tóquio

Não que eles precisem de defesa!
Não que eles precisem de defesa!

Qualquer pessoa com um mínimo de bom senso sabe que qualquer crítica mais ácida à esse ou àquele jogo cai diretamente no colo dos fãs – e não se engane: todos os RPG’s têm fãs (até GURPS e Cyberpunk 2020, vejam só!).

E nesse nosso “mercado de nicho”, os fãs têm um poder inigualável e intransferível: eles são capazes de ressuscitar ou manter vivo um jogo.

O caso mais recente é o da terceira edição de Defensores de Tóquio – mais conhecido por todos nós como 3D&T. Envolto uma troca de editoras e direitos autorais, foi abandonado pelo autor Marcelo Cassaro, mas após verificar que os fãs se recusaram a deixar o jogo morrer, lançou 3D&T Alpha pela Jambô Editora, livro esse que é considerado a “versão definitiva” do sistema.

Muito foi falado sobre “Preconceito no RPG” nas últimas semanas – são tantos locais que nem me atrevo a linkar. Posso parecer um tolo em defender a bandeira de “paz e amor”, e acredito firmemente que críticas (construtivas ou não) fazem parte e acabam entrando de uma forma ou de outra no debate. Mas é preciso um mínimo de respeito e atenção quando se fala de coisas consideradas importantes pro nosso hobby como um todo. Mesmo que essa coisa seja algo que você (olha aí a famigerada “Opinião Pessoal”) considera errado, ruim ou absurdo.

E uma dessas coisas é o 3D&T.

Veja, por mais que alguém ache que 3D&T é uma porcaria, que tem regras toscas, que isso ou aquilo (insira aqui todos os termos pejorativos que você já viu/ouviu sobre ele), nosso mercado, por pior ou menor que seja, seria BEM PIOR e BEM MENOR sem esse jogo.

Chegar à essa conclusão não é difícil; basta ver a quantidade de pessoas que começaram à jogar RPG por causa dele. Muitas dessas pararam, muitas ainda jogam o mesmo jogo, e se pra você isso não afeta nosso “mercado”, algumas dessas pessoas começaram no 3D&T, migraram para outros jogos, e podemos encontrá-los blogando, produzindo material, podcasts, videocasts, organizando encontros e até mesmo escrevendo, ilustrando, traduzindo e revisando livros de RPG! Temos aí o Lobo Borges, desenhista de Ledd e ilustrador da Jambô, que não me deixa mentir!

Num tempo em que se fala da dificuldade em atrair novos jogadores para o hobby, foi o 3D&T, com suas contestadas adaptações de anime, que deu um novo fôlego ao RPG no Brasil, comparável à explosão causada pelo D&D da Grow vendido em lojas de brinquedos, ou ao AD&D da Abril vendido em bancas. Menosprezar esse sistema é menosprezar toda uma geração de RPGistas Brasileiros, que são no mínimo consumidores, e uma das engrenagens que faz o RPG no país girar.

Não estou dizendo que à partir de agora, 3D&T é o sistema mais foda do mundo e que você deve queimar todos os seus livros de 4E como oferenda (embora aconselhe à realizar essa última, hehe): Pode apenas tratá-lo como um “mal necessário”, se quiser (o que é uma pena, o jogo é realmente divertido). O que você não pode fazer é tratar quem jogou ou ainda prefere 3D&T em detrimento de outros jogos como se fosse um “ser inferior”. Na verdade, você até pode, mas não vai conseguir muitos amigos com isso…

E antes de pegar o teclado e dizer por aí que “3D&T é ruim” (e incitar uma flame de trocentas páginas com as centenas de fãs do jogo), você pode ser mais justo e dizer que “3D&T é ruim PRA MIM”. Não permita que suas opiniões subvertam a realidade.

E em alguns casos, não cuspa no prato que comeu.

Até a próxima!

P.S: Sobre GURPS, Cyberpunk 2020 e 4E, foi apenas uma brincadeira. Nada tenho contra nenhum jogo!

17 comentários sobre “Defendendo os Defensores de Tóquio

  1. Eu comecei com gurps, mas ai joguei um pouco de 3D&T e acho ele um excelente sistema, para o que ele se propõe. É um jogo simples, que emula histórias de tokusatsu e animes em geral, que pode ser usado em outros gêneros, mas talvez não fique tão bom. Ele para jogos medievais eu acho uma bosta. Além disso ele foi a porta de entrada de muitos jogadores, então dizer “eu não gosto do sistema” é totalmente válido, ninguém é obrigado a gostar de tudo, graças aos deuses existem uma cacetada de sistemas (e graças às novas editoras, muitos deles têm saído por aqui) e cada um escolhe o que quer jogar. Já falar que o sistema é uma merda ai é ‘falta de dados para rolar’.

    1. Exato! Não gostar é normal, ninguém é obrigado a gostar de tudo! Mas menosprezar, como vi e vejo por aí, é que é foda. É daí que vem o preconceito. Pode até achar uma porcaria, mas menosprezar é que não pode. 3D&T foi e é importantíssimo pro RPG nacional!

  2. Eu acho ele bem legal para o que se propõe (Anime, Mangá, Tokusatsu e Games) e uma ótima introdução ao RPG. Eu me canso um pouco com as ilustrações, especialmente as rerereutilizadas, mas no geral acho um bom RPG. Não jogo porque não gostei dos mestres que conheci e não mestro porque meu grupo não quer nem tentar.

  3. Eu já não vejo mais tanto preconceito por parte das pessoas (ou pelo menos, não nos grupos dos quais participo). Acho que enfim a galera tá entendendo que cada um sabe o que quer e o que procura em um jogo e parou de encanar com isso.

    Ou será que não? ^ ^

    1. Teske, queria eu que o passado de menosprezo de amantes de um RPG em detrimento de outro fosse apenas isso: Passado

      Deve ser os grupos que você frequenta. Parabéns pela escolha!😄

  4. Eu sou um dos que começou com 3D&T e jogo até hoje, porque é realmente um sistema maravilhoso quando não se está com cabeça para criar personagens com um milhão de perícias e selecionar cada uma delas e tantas outras coisas. 5 minutos, ficha feita, diversão garantida.
    Mas como em todo o mundo sempre alguém quer ser melhor que os outros por motivo X, no RPG não poderia ser diferente. Só fico triste por quem pensa que tal sistema é melhor que outro.

  5. Eu nunca joguei 3D&T, e mesmo assim já adquiri bastante material para o sistema (em grande parte adaptações em revistas). Respeito seu design, mesmo que não faça meu estilo de jogo (principalmente pelo foco em combate, oq fica evidente pela própria escolha dos Atributos). Mas um jogo com tanta flexibilidade, tão fácil de adaptar para/de outros cenários/mídias, com o volume de material disponível (oficial ou não), e que ainda consegue caber personagens em fichas tão curtas, merece meu aplauso.

    Curiosamente, algo muito semelhante acontece com música: nem sempre me identifico com certos estilos e intérpretes, mas como músico respeito muitos seguindo por fora da minha zona de preferência. Pra mim, qualquer falta de respeito é injustificável, especialmente com o que discordo, desgosto ou desconheço (pq isso já caracteriza ignorância….).

      1. Mera questão de interpretação. Não importa o termo adotado (atributos, características, habilidades, aspectos, etc). A função é a mesma, proporcionar uma base estatística comum a todos os personagens.

  6. Ótimo post, caro Big.
    Como conversamos no twitter, 3D&T foi como uma alavanca para a disseminação do hobby no nosso país, substituindo regras e cenários complexos por um sistema fácil e um cenário divertido.

    Creio que a liberdade de opinião e gosto é pessoal, não pudemos interferir neste sentindo.
    Mas podemos EXIGIR um pouco de respeito e consideração.
    Eu comecei com 3D&T, me apaixonei por 3D&T e por mais que eu jogue ou narre com outro sistema, todo final de semana tem que ter minha campanha de Tormenta 3D&T ou a campanha do meu sócio.
    Se não tiver, os players brigam, reclamam, levam as bebidas embora (a mais triste consequência x_x)… Enfim.

    3D&T une regras fáceis, é super adaptável aos mais variados cenários e ainda por cima diverte.

    Sou defensor fiel do movimento 3D&T no Brasil !
    #DefensorDeTóquio

    Poder a Todos !

  7. Que texto bacana. Tbm levanto a bandeira do Paz e Amor.

    Não conhecia o blog. Já está no leitor de feeds.

    PS: Sacanagem seria dizer que Ars Magica tbm tem fãs😄

  8. Eu gosto muito do 3D&T exatamente por sua simplicidade (e sua excentricidade também). Como as aventuras que narro são sempre com um pé fora do realismo e muito voltado pra interpretação o Defensores de Tóquio me cai como uma luva de tamanho exato. Atualmente tenho aqui os materiais antigos de Gurps, Vampire e o Old Dragon mas sempre acabo puxando na net o bom e velho puxando 3D&T (ampliado, turbinado, bombado, tunado e seja qual versão esteja tendo agora). Ja tive o 4D&T mas joguei muito pouco e na real eu eprdi o livro (=/) até. Era muito fã de Daemon mas doei todos meus livros pra amigos, bibliotecas e vendi alguns (esse meu gesto de livre e espontânea pressão por causa do jogo do demonio) fez um fusue na minha cidade e criou duas gerações de RPGistas aqui x3. Mas se tem um sistema que sempre volto é o 3D&T.

  9. Eu acho 3D&T um sistema sensacional, para mim (minha opinião) ele é a genese de muitos sistemas narrativistas que aparecem por ai.
    Veja bem, 3D&T é um sistema livre, ter força 3 pode ser tanto um cara musculoso, como um cara que luta bem, habilidade trata de várias características diferentes, mas é apenas a base. As vantagens são simples e a ficha é facil de se fazer, a parte narrativa então…
    Um amigo meu estava mestrando 3D&T, meu personagem levou uma flechada e eu simplesmente fiz um buraco no peito para esquivar (afinal eu podia mudar de forma e me regenerar e blabla), não importa o sistema, muitos mestres ficariam cheios de mimimi sobre esse tipo de narrativa, ou a interpretação de magias ser diferente para cada jogador: minha bola de fogo é normal a do meu amigo é um passaro que explode, etc. Esses são só alguns exemplos da variabilidade e da liberdade que o 3D&T nos dá e, sinceramente, não acho que reclamar de falta de regras, de lista de armas, entre outros detalhes seja justo. Ele não é um sistema que se propõe a criar uma simulação da vida, ele é só um sistema simples, feito para entreter e criar jogadores. Aposto que quem é anti-defensores nunca jogou uma boa partida do sistema, pq ficava perdendo tempo reclamando.. Fazer o que, é a vida, né?
    Muito bom o post, big. Abraço

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