Resenha: Cachorros Samurai

Arte original de Cachorros Samurai, por Diego Madia

O concurso Faça Você Mesmo de criação de jogos, organizado pela Secular Games todo carnaval, já está se tornando tradicional e fera em revelar novos RPG’s, sejam eles vencedores ou participantes. E o jogo que resenho hoje é mais um dessa bela safra de jogos originais brasileiros.

Cachorros Samurai é o primeiro produto da House Rules, estúdio encabeçado pelo Alan Silva, lá das Minas Gerais. E é bonito de ver o cuidado com que o Alan está tratando o jogo: Além de estruturar a House Rules, é notório o interesse do autor em buscar e absorver novos conhecimentos sobre negócios e Game Design. Assim, seu jogo passou por vários playtestes antes de ser finalmente aberto ao público, o que aconteceu essa semana. E gostei do que li!

Biscoitos?

Pra começar a originalidade do material, o cenário: Ambientado no Japão Feudal, por volta de 1185, no início do período Kamakura. É o início do reinado dos Xóguns no Japão, mas temos Cachorros (e talvez Gatos) no lugar dos seres humanos, ocupando um mundo antropomórfico e fazendo o papel de samurais, ninjas, Daimiôs e até do Imperador!

A mecânica também é inovadora: Cachorros Samurai tem poucas regras, a maior parte delas resolvida com uma simples jogada de um dado comum de seis faces; Mesmo o combate é um mero teste resistido entre os lutadores. A mesma simplicidade é encontrada na regra de ferimentos.

Até aí nada demais. A tendência dos jogos e editoras atuais é mesmo a simplicidade, sem ser simplista. E percebemos que a House Rules vai pelo mesmo caminho ao sermos apresentados à regra dos biscoitos!

É simplesmente genial: Os personagens acumulam biscoitos durante a partida, e podem comer esses biscoitos para ganhar benefícios, tanto transitórios (um aumento nos atributos, ativar poderes) quanto permanentes (adquirir um equipamento ou curar um ferimento). Ao incluir isso no jogo, o Alan acrescenta a alimentação ao RPG – uma coisa que sempre nos lembra reunião, confraternização e até mesmo alegria – principalmente se você estiver com fome!

E a partir daí, um bocado de regras e sugestões interessantes se desdobram – como a famigerada regra para biscoitos recheados, ou as sutis indicações de como se comportar antes, durante e depois de jogar e comer uma batelada de biscoitos – como lavar as mãos e escovar os dentes!

Cachorros Samurai até mesmo oficializa a trapaça: Você pode “roubar” o biscoito de outro jogador ou do mestre, ou acumular mais biscoitos do que o permitido, mas sofrerá as consequências de seus atos…

Um jogo sobre Honra

Mas acima de tudo, acima da comilança e do fato de nossos personagens possuírem pelos e pulgas, e comerem biscoitos, Cachorros Samurai é um jogo onde a conduta é determinante para o sucesso ou fracasso do grupo. Guiados por um Mestre do Bando e orientados por um Discípulo Veterano, os jogadores tem como desafio adicional manter sua honra e a de seu senhor.

Através de consenso, o grupo vai criando seu Código de Conduta, que dirá como verdadeiros samurais agem. E andando nessa linha tênue que divide a Honra, o Dever e a Disciplina, com a ponta afiada de uma katana apontada para eles.

Ei, ninguém disse que ser um Cachorro Samurai era fácil!

O Material Apresentado

Disponibilizado recentemente, o Kit de Cachorros Samurai (que você pode baixar NESSE LINK) tem tudo o que você precisa saber sobre a editora, o jogo e como fornecer feedback para o autor – que está sempre disponível para ouvir sugestões e críticas sobre o jogo. Além de duas aventuras prontinhas pra serem jogadas!

Infelizmente, o material peca um pouco na organização. Mesmo a diagramação simples e a ausência de uma identidade visual não atrapalham tanto quanto as regras espalhadas e algumas vezes confusas. Por exemplo, na regra de testes resistidos, eu precisei ler o seguinte parágrafo algumas vezes para entendê-lo:

Se for um personagem contra outro personagem os dois irão rolar os dados, perde automaticamente aquele que tirar o maior valor em relação ao atributo ou proteção usado. Em caso de vitória dos dois por tirar um resultado menor ou igual ao atributo ou proteção comparam-se os dois valores. Quem tirou o menor valor vence. Em caso de empate, role novamente.

Temos também o PDF começando com uma aventura, quando acredito que deveria iniciar com a explicação das regras do jogo. São problemas pequenos, que nada tiram o brilho do Cachorros Samurai, e espero que em breve tenhamos outro PDF com uma disposição melhor dos assuntos.

Conclusão

Cachorros Samurai ainda está em desenvolvimento, mas algumas coisas saltam aos olhos: É um produto de uma editora que se preocupa com seu público, seja ele iniciante ou veterano, que quer viver longas aventuras na pele de um Canídeo portando uma espada japonesa, ou apenas se divertir numa tarde modorrenta. Pelo andar da carruagem, será um dos jogos a se acompanhar com atenção em 2013. Prepare-se para sacar sua Katana…

…e comer MUITOS biscoitos!

Fui!

2 comentários sobre “Resenha: Cachorros Samurai

  1. Opa! Muito obrigado Big por sua opinião. Concordo em quase todos os pontos exceto um. No kit apenas apresenta 1 aventura o Monólito dos Espíritos. Justificando a qualidade da organização do texto e outros processos decidi que o foco é apenas coletar opiniões sobre o conteúdo do jogo, nada além disto. Atingi uma escala de testes do jogo que me sinto seguro em passar para pessoas interessadas em conhecer e promover o jogo.

    Gostaria de agradecer pelo suporte no Zuada Plug tem ajudado bastante. Espero que venham mais relatos e opiniões. Abraços!😀

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