Resenha: Cosa Nostra

A sua benção, Padrinho!

Há algumas semanas, recebi com certa curiosidade o arquivo de playtest do Cosa Nostra, da editora Estúdio V. E fiquei surpreso ao descompactar o arquivo!

Quem?

Cosa Nostra é obra da mente incansável do João Paulo Francisconi, que todo mundo conhece como co-autor do Bestiário de Arton e do Twitter @numefinorio. E o Nume reuniu ao seu redor uma galera de peso – entre eles os artistas Leonel Domingos e Marco Morte, que assinam a bela arte do jogo. Pra completar esse time, Tiago H. Ribeiro é o responsável pela agradável diagramação e identidade visual, e o editor é ninguém menos que Guilherme Moraes da Retropunk Game Design.

Só fera!

Como?

Dito isso, não se podia esperar menos desse material, embora seja apenas uma degustação do que está por vir. Começando com uma bela capa e logotipo, Cosa Nostra é mais um daqueles RPG’s feitos por Brasileiros que seriam capazes de arrancar suspiros se fosse publicado lá fora.

A premissa do jogo é: Através de ferramentas de compartilhamento de narrativa, os jogadores devem levar sua Família – como as organizações mafiosas chamam a si mesmas – por várias fases, desde sua criação, ascensão, auge, decadência, queda e talvez um renascimento. O que diferencia Cosa Nostra de outros RPG’s, mesmo os que possuem Narrativa Compartilhada, é que tá todo mundo no mesmo barco! Embora conflitos possam (e devam!) surgir durante o jogo, eles acontecem mais pela vontade dos jogadores em verem sua Família evoluir tanto na sua eficiência quanto na sua história (além de contar com a providencial ajudinha de algum jogador que queira fazer graça; SEMPRE existe um!).

As Famílias possuem Pontos-Chaves, que definem suas áreas e formas de atuação. Esses pontos são criados pelos próprios jogadores e divididos entre as três Funções Narrativas do jogo: Músculos (A força e intimidação da Máfia), Negócios (de onde vem a grana) e Legitimidade (o respeito e confiabilidade da Família);

A partir daí, os jogadores seguem narrando cenas, incorporando as Funções Narrativas e fazendo testes e apostas para evitar que o Poder Constituído interfira nos negócios da Família. E isso é realizado através de jogadas de dados e de dois baralhos, o toque de mestre do Cosa Nostra!

Um deck é o de Cartas de Aposta. Essas cartas fornecem uma faca de dois gumes: Tanto podem atrapalhar quanto podem ajudar, fornecendo bônus e penalidades para “apimentar” sua Família.

Mas se as Cartas de Apostas são a “pimenta” do jogo, podemos dizer que o outro deck – o de Cartas da Lei – é uma bomba-relógio esperando para explodir! Quando entram em jogo, as Cartas da Lei movimentam a história, causando transtornos que podem ter desdobramentos interessantes – que vão desde um desentendimento com a polícia até a morte do Don!

Junte-se a isso à opção de Traições e Assassinatos, e o Cosa Nostra consegue realmente simular o clima de filmes como Scarface, Os Intocáveis… e claro, a obra máxima do gênero, o livro O Poderoso Chefão, do Mario Puzo.

Pra Quem?

Cosa Nostra não é um RPG fácil, como o autor mesmo admite ao escrever um tópico com “Dicas de Narrativa”. Dizer que ele roda melhor com pessoas que conhecem ou gostam do tema “máfia” é exagero, mas acredito que seja necessária certa “cara-de-pau” inerente à maioria dos jogadores de RPG para poder narrar – SOZINHO – uma ou mais cenas. Aqui não tem ficha onde você possa se esconder atrás, parceiro! Sua única arma é sua imaginação e um pouco de sorte!

Eu aconselharia o Cosa Nostra para grupos mais maduros, que saibam lidar com os temas pesados que a máfia, seus crimes e sua honra (por vezes distorcida) apresentam; Na verdade, tirando a parte de testes e apostas (que eu tive que ler umas duas vezes pra entender). Cosa Nostra roda com quase nenhuma regra: Ele é basicamente um jogo GENUÍNO de contar histórias, onde as escolhas que os  jogadores fizerem em suas narrativas tem muita importância.

Quando?

O jogo está em fase de playtest, onde o Nume está recolhendo feedback de vários grupos por todo o país. Há uma previsão inicial de que a versão final vá para financiamento coletivo em Janeiro de 2013.

Onde?

Baixe o playtest do Cosa Nostra NESSE link. E se você jogar e tiver alguma dúvida ou sugestão, pode deixá-la BEM AQUI. Aproveite e siga o perfil do @cosanostraRPG no Twitter (onde o Don dá as ordens para seus afilhados!), e curta a página do Cosa Nostra no Facebook!

O quê mais?

Cosa Nostra é fruto de um trabalho de pesquisa magnífico realizado pelo Nume; E lendo o playtest, a gente sente que ele tem muita “carta na manga” ainda, e que mostrou apenas a pontinha do iceberg do que esse jogo vai ser. Pra quem não conhece as histórias da “Mão Negra” Siciliana, o jogo é interessantíssimo. Pra quem já é fã (como o resenhista que vos escreve), é simplesmente fabuloso ver como alguém foi capaz de captar tão bem o espírito dos “Homens de Honra” num RPG!

E é isso! Vou ficando por aqui, e enquanto a versão final não chega, deixa eu bater a poeira e reler pela enésima vez o meu “O Poderoso Chefão”.

Falou!

3 comentários sobre “Resenha: Cosa Nostra

  1. “que todo mundo conhece”
    Quem?
    “Cosa Nostra é fruto de um trabalho de pesquisa magnífico…”
    O cara deve ser muito bom pra fazer esse trabalho magnífico de pesquisa que aparece em apenas duas páginas e meia no pdf Sob o título “ambientação”.

    Desculpe pelas perguntas, meu amo. É que estou carente de atenção…

    1. Obrigado pela visita, Teobaldo!

      Eu dei as referências do Nume. Se mesmo com elas você não conhece, deveria se informar mais. Sugiro ler mais blogs, ouvir podcasts ou acessar o Twitter. Começe aqui pelo ZUADAPLUG, com notícias do mercado de RPG!

      E você acha mesmo que o Nume só tem aquilo pesquisado? Além de já ter dito que a versão completa vem com a história da máfia novaiorquina e siciliana, o Nume vem pesquisando para o Cosa Nostra há quase um ano. Ele tem inclusive um blog sobre isso, além de cursar História.

      Ah, você não sabia? Como disse, você precisa se informar melhor…

      Volte sempre!

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