Resenha: O Reino de Bundhamidão

Cá entre nós…

Eu não sou bom em resenhas. Sou um pouco mais prático. Gosto de ir direto ao que interessa, deixando de lado esse lance de descrever um livro capítulo a capítulo, descrever cada jogada possível no sistema. Darei minhas opiniões e impressões, e espero que isso baste pra vocês!

O humor permeia nossas mesas de jogo. Sempre que estamos reunidos com nossos amigos, não importa se a aventura é um horror psicológico ou um drama profundo: Falamos bobagens, rimos de um, de todos, de nós mesmos e do jogo que jogamos.

Por que não tornar isso oficial?

A Retropunk Game Design, mostrando que não é a “metralhadora indie” à toa, lançará em breve “O Reino de Bundhamidão”, um livro com quase duzentas páginas coloridas e ricamente ilustradas. Fruto de um longo trabalho de criação realizado pelo Matheus Funfas e pelo André Mousinho, Bundhamidão é uma terra que poderia até se encaixar no paradigma de um “reino medieval fantástico” de outros mundos, como a Terra Média ou Forgotten Realms (Se é que existem outros!).

Mas o que faz O Reino de Bundhamidão ser tão diferente é a tendência inerente de seus habitantes de sacanear uns aos outros!

Nos dez capítulos do livro, aprendemos muito sobre essa terra estranha que não tem norte, portanto os mapas são menos que inúteis; Descobrimos o valor de um duplo sentido, ou triplo, ou quádruplo; Percebemos que as coisas que cercam nossa Fantasia Medieval Clássica e clichezenta estão à beira de se tornar uma piada – basta você ter sorte nos dados e uma cara de pau sem tamanho!

A leitura do livro em si é uma piada. Uma longa e empolgante piada, que você vai digerindo aos poucos. A cada frase, você pode ter a reação de esboçar um sorrisinho amarelo, de gargalhar feito um bobo, ou de parar de ler, olhar para o vazio e indagar: “WTF? De onde esses caras tiraram isso?”

Sobra pra todo mundo. Nem mesmo as classes básicas do D&D escaparam do humor afiado de Bundhamidão. Os grandes arquétipos da Fantasia Medieval estão lá, bem disfarçados ou insensatamente modificados e despidos de qualquer dignidade! Que tal jogar com um imenso Troll-Ha? Ou com os belicosos Fardas? ou mesmo com a raça mais ridícula de todo o multiverso, os HUMANOS?

O grande mérito de Funfas e Mousinho é tornar Bundhamidão atraente para todos os tipos de jogadores e mestres – ou Tiranos, como o Mestre é chamado nesse jogo. O sistema Perfil utilizado no jogo é amplo o suficiente para manter a complexibilidade, mas também pode ser resumido num “Pedra-Papel-Tesoura”; Grupos iniciantes podem aproveitar o cenário básico, porém jogadores que já tenham uma certa experiência com RPG vão adorar explorar os Tipos de Ambientação inclusos – que remetem à RPG’s clássicos, como Mundo das Trevas, Cthulhu ou Paranoia. Gargalhadas garantidas!

Eu raramente gosto de RPG’s de humor. Talvez porque os que eu li não foram escritos por Brasileiros, ou porque as piadas envelheceram. Mas fiquei agradavelmente surpreso enquanto lia O Reino de Bundhamidão. Fora as gracinhas meio óbvias – como “As Gel-Adeiras” – o que mais te assusta e te pega de surpresa são as expectativas que você cria sobre uma coisa e – BUM! – é uma piada descarada e genial! Destaque para “As Fontes de Bundhamidão” e “Anuncie Aqui“!

Mas de todas as coisas geniais encontradas em “O Reino de Bundhamidão“, nada supera os Descritivos de Cena Absurdos. Com uma mecânica que lembra o impagável Murphy’s World da Peregrine Press, os Descritivos permitem que os personagens se intrometam na narrativa do mestre ou de outros jogadores, geralmente virando uma cena a seu favor da maneira mais ridiculamente impossível. Acredito que metade da graça do jogo venha daí! Quanto mais absurdo seu descritivo for, maior a chance dele dar errado, e maior a chance de rolar um surto de risadas!

E em Bundamidhão, você evolui e involui seu personagem! Seus sucessos são recompensados com Pontos Descritivos, que podem ser usados para melhorar suas características e dar vantagens; Mas cada burrada digna de vaia ou mesmo uma ação mal planejada pode render Pontos de Estupidez. Esses pontos, além de aos poucos tornarem seu personagem um incompetente que não vai conseguir nem amarrar os cadarços sozinho, pode render Pontos Descritivos Negativos – Desvantagens engraçadíssimas que vão ferrar AINDA MAIS o seu jogo!

Pra terminar, O Reino de Bundhamidão não é um jogo pra se jogar se você estiver de mau humor, com contas atrasadas, ou durante o velório da sogra (bem, de algumas sogras); E se você é daqueles jogadores que gosta que seu personagem seja heroico, respeitado, infalível e chato, PASSE LONGE DESSE JOGO! Jogar Bundhamidão é abraçar o caos em toda sua glória, sofrer o pão que o Tirano amassou, e rir de toda essa palhaçada!

Se interessou? Então fique de butuca, porque em breve O Reino de Bundhamidão estará em pré venda na RetroStore! E mesmo antes de seu lançamento, já temos um evento agendado! O BUNDHAMIDAY acontecerá no dia 15 de novembro em todo o Brasil (e em Bundhamidão também). Se você ainda não o fez, baixe o playteste gratuito e vá se preparando para jogar RPG no mundo mais louco de todos os mundos!

(Se é que existem outros!)…

Abraços!

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