RPGCon Cancelada: Fim… ou novo começo?

Muitos blogs já repercutiram desde ontem essa notícia (mais do que divulgaram antes, mas deixa pra lá), e acho que todo mundo já sabe, mas mesmo assim eu gostaria de deixar meus dois centavos nessa panela fervente que é o anúncio de cancelamento da RPGCon 2012.

Desde quando foi anunciado que o maior evento de RPG do Brasil (até ontem pelo menos) seria realizado via financiamento coletivo, foi aberta a “caixa de pandora” do que é estar à frente dessa empreitada: Um dos organizadores, o Wallace Garradini, tratou de colocar as coisas em pratos limpos, e com uma honestidade tremenda, relatou em seus tweets o que muita gente sabia, mas poucos tinham coragem de admitir – A RPGCon é um evento deficitário, que nunca se sustentou sozinho.

E pra mim, a RPGCon tem (teve?) papel fundamental nessa nova fase do RPG no Brasil. Antes dela, pouca gente se movimentava para criar produtos e laços fora das editoras grandes; Estávamos carentes de um grande evento de RPG à nível nacional, que revelasse valores e mostrasse as novidades para grandes públicos.

Teve gente elogiando a atitude de chamar a galera junto, teve gente reclamando da decisão em cima da hora… Ninguém ficou indiferente. Mas o que vimos quando começou o financiamento no Movere foi uma dificuldade imensa em angariar os R$ 30.000,00 necessários pra fazer a coisa toda acontecer.

E não adiantou toda a propaganda feita pelos blogs e podcasts (nos quais eu orgulhosamente me incluo), os vídeos com depoimentos de (algumas) editoras, as generosas doações do acervo particular do Marcelo Cassaro… o financiamento nunca decolou. A RPGCon foi cancelada com apenas 33% do montante angariado.

O que fica dessa história toda? Afirmo categoricamente que o único pecado da organização foi ter deixado o financiamento coletivo para a última hora – acredito que se houvesse tempo hábil, a galera tinha chegado junto finalmente. Mas e o resto da culpa, é de quem (parafraseando Renato Russo)?

Algumas coisas que percebemos nesse financiamento coletivo que naufragou, o primeiro da história do RPG Brasileiro, depois de campanhas impecáveis do Violentina da Secular Games e do Card Goblins da Coisinha Verde:

• Nem todas as editoras – que são a mola mestra do mercado – estão interessadas em comparecer junto a seus consumidores. Não vou citar nomes, mas ficou claro que “uma editora dita grande” não estava nem aí para a RPGCon. Problemas com os organizadores? A usual falta de interesse da tal editora? Quem sabe não conta…

• Muita gente reclamando que a RPGCon não tinha dado as caras. Depois mais gente reclamando que era por financiamento coletivo. Depois reclamando que tava em cima da hora (esse eu concordei). Depois, quando o Garradini chegou a confirmar a RPGCon mesmo sem o financiamento, o que houve? MAIS reclamação, claro! Isso sem contar as esperadas reclamações sobre o cancelamento. Alguém além de mim achou que foi mimimi demais, ou só eu?

• Temo que a velha e batida história de que “O RPG está em crise”, “O RPG não é viável no Brasil” e outras baboseiras de múmias adormecidas em seu escuro sono (graças a Thor!) ressurjam como Mumm-Ha. Estou farto desse tipo de gente que decide cuidar da própria vida, mas de uma hora pra outra volta pra encher o saco. Pior que a praga ainda tem um monte de seguidores fanáticos, que espalham sua verborragia aos quatro ventos!

• A FRI (Feira de RPG Independente), que revelou e abriu espaço para então pequenas editoras – como Retropunk Game Design, Redbox Editora e Coisinha Verde – passará esse ano batido. E deixaremos de ter essa grande e importante ferramenta de fomentação do hobby. Só eu contei três possíveis editoras que já produzem, mas teriam muito a crescer participando da FRI desse ano – a House Rules, a Ícaro Editora e a Unza RPG.

• O desânimo com o cancelamento pode afetar público, organizadores e mercado de forma parecida. O Douglas D3, o outro cara que passou três anos colocando grana do próprio bolso para fazer a coisa acontecer, respondeu o seguinte no Facebook, quando perguntei se a ideia era abandonar a RPGCon:

Nesse modelo, de financiamento feito por dois caras, com participação quase nula da indústria, acabou. Se acharmos outro modelo que funcione, voltamos. Esse ficou claro que não funciona como negócio e o público não aprova.

O que eu, você e toda a comunidade pode fazer pra mudar esse quadro para o ano que vem? Já vimos que o mercado só melhorou com a oportunidade aberta pela RPGCon. Será que teremos que começar de novo? Ou toda a grana, esforço e dedicação do Wallace e do Douglas foi suficiente para fazer com que esse “novo impulso” do RPG Nacional ande com as próprias pernas?

Deixe sua opinião aí nos comentários.

Até logo…

P.S: Quem comprou passagem e reservou hospedagem, não fique triste/indignado: O pessoal da Redbox e da lista de Old Dragon está vendo a possibilidade de aproveitar que vai estar todo mundo em São Paulo nos dias 13 e 14, e juntar para fazer um “encontro” totalmente informal! Novidades em breve, fique ligado!

4 comentários sobre “RPGCon Cancelada: Fim… ou novo começo?

  1. Eu abomino os mimimis que foram feitos. Tenho orgulho de ter colaborado com o financiamento, não me importando de que 150 dinheiros serão um rombo em meu orçamento. Quem fala que o RPG esta morrendo é um boçal que não tem culhões de ir ensinar novos jogadores, como eu já fiz nestes meus 8 anos de mesas, inclusive, fiz mais uma vez com mais um grupo neste ano e pretendo continuar.
    O evento não decolou por um monte de motivos. Concordo que o financiamento coletivo foi muito encima da hora, mas ao menos foi tentado e isso é o que importa, continuar tentando.
    Eu quase cancelei minha ida a SP dias 13 e 14 no clima de “ok, fazer o que, uma pena mas minhas mesas não vão parar só por isso” mas estou pensando seriamente em manter minha ida, encontrar pessoas que pretendo ver a tempos e em especial falar sobre minhas experiencias com novatos que iniciei via Old Dragon assim como minhas novas experiencias com cWoD com pessoas que admiro e são bem mais experientes do que eu em ambos os sistemas.
    Sinceramente, o que vale é o RPG, é nosso hobby e é a amizade que formamos. Vale mesmo a diversão. Não rolou RPGCon este ano? Ok, quem sabe ano que vem, vale o aprendizado, nosso pais tem muitas dificuldades nesse sentido. Avante!

    1. Estou totalmente de acordo com o sonado. Digo mais: talvez se a RPGCon for bienal seja um modelo mais viável… abcs

  2. Vejo no futuro do ano que vem novos investidores e projetos que vão impulsionar o RPG Nacional, que “não está em crise” só não é divulgado. Gosto em ficar a par.

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