Storyteller é Old School?

ISSO é que é um Storyteller Old School! - "The Storyteller - 11,003 B.C." Pintura em óleo de Martin Pate

Essa é uma dúvida que me atormenta há algum tempo; não que eu precise colocar rótulos em tudo, ou que seja contra o que não for “old school”. Decidi gastar neurônios com essa questão que não vai mudar a vida de ninguém porque… sim.

Também porque eu vejo um renascimento do velho World of Darkness, da maneira como ele era jogado nos anos 90, e isso me anima. São vários blogs falando no assunto (o melhor em português, claro, são as meninas do Livro dos Espelhos), e tem esse lance dos 20 anos de Vampiro e Lobisomem. Pergunto: o que o Velho Mundo tem que o Novo não tem?

Se eu tivesse que responder à pergunta título do post diretamente, estava ferrado. Se levarmos em conta que o “Old School” se refere ao RPG e ao estilo de jogo criado nos anos 70, então não tem nada a ver. Mas em certos aspectos, o Mundo das Trevas antigo (com suas Máscaras, Apocalipses e Ascensões, entre outros) É SIM “old school”; basta comparar o velho com o novo, e está lá o “jeito antigo de jogar, em contraste com o jeito novo”, e a “menor dependências de regras” (essa última nem sempre funciona na prática).  Mas como não sou especialista no Novo Mundo das Trevas, e nunca li ou joguei nada dele, não acredito que essa minha impressão seja totalmente correta; Sem entrar no mérito de qual conjunto de regras ou qual cenário é melhor, eu diria que, pelo menos, o antigo Mundo das Trevas agrada gente DEMAIS pra ser jogado de lado simplesmente porque saiu um novo jogo.

Mais ou menos com aconteceu com o AD&D, quando saiu a Terceira Edição, sacam?

Se o jogo ainda tem esse fôlego, porque abandoná-lo? Porque não posso jogar com vampiros porradeiros que usam Disciplinas como superpoderes? Ou Lobisomens absorvendo e causando trocentos dados de dano agravado? E Magos quase onipotentes que se embananavam todos com aquele monte de possibilidades das Esferas? Era assim que a maioria dos grupos jogava nos anos 90!

E confesse: era divertido!

Acho que o sistema antigo e as pessoas que o amam poderiam nos presentear com uma iniciativa parecida com a que a OSR fez com os jogos clássicos de Fantasia. É muito difícil achar material para o Storyteller, pois o auge dele aconteceu quando a internet era coisas de poucos no Brasil, e os sites tinham links que piscavam em cores berrantes, tipo amarelo ou roxo. Com as ferramentas modernas, poderíamos oferecer materiais bem bacanas – e livres, já que a White Wolf não pretende retomar o mundo mesmo… Se eu não tivesse atolado de projetos pela metade, faria qualquer coisa mais séria por aqui; De qualquer modo, estou aqui pra divulgar se fizerem!

Minha recomendação: sendo ou não sendo “old school”, nada impede que você ainda possa se divertir com campanhas ou partidas ocasionais dos jogos do Mundo Antigo (das Trevas). Tem gente que ainda tem os livros, outros não se importam em baixá-los em PDF (já que não são mais publicados mesmo), ou mesmo pagar verdadeiras fortunas pelos exemplares raros (150 Dilmas num Vampiro, Alguém?).

E se alguém adaptar o cenário antigo pro sistema novo, ficamos gratos!

E então? O antigo Mundo das Trevas é old school pra você?

Abraços!

P.S: Algo que eu não queria que se perdesse são as fichas das Segundas Edições. Da terceira tem de montão pela internet, mas essas aqui eu ralei pra achar! Fica pra posteridade:

FICHA DE VAMPIRO A MÁSCARA (2ª EDIÇÃO)

FICHA DE LOBISOMEM O APOCALIPSE (2ª EDIÇÃO)

FICHA DE MAGO A ASCENSÃO (2ª EDIÇÃO)

Veja muito mais arquivos na aba DOWNLOADS, ali em cima!

Agradecimentos especiais à @livroespelhos, por ter disponibilizado uma ficha de Mago a Ascensão da Devir; Não é essa aqui de cima, mas me mostrou que era possível encontrar!

EDIT: Como o amigo Terion comentou aqui embaixo, um excelente blog que eu não conhecia é o Biblioteca World of Darkness! Material do Antigo Mundo das Trevas sendo traduzido e disponibilizado para e por fãs (ou “adeptos”, como diria o João Mariano, hehe). Vale a pena conferir!

11 comentários sobre “Storyteller é Old School?

  1. Bem, eu acho que é complicado chegar a uma definição de “old school” de World of Darkness pois o novo dá suporte a quase todos os mesmos estilos de jogo do anterior com a exceção dos jogos baseados em meta-plot pois no NWoD este é quase inexistente.

    Acho curioso que digas que a White Wolf não esteja interessada em “retomar o mundo mesmo” pois eles já anunciaram uma meia-dúzia de produtos para o velho World of Darkness (ou “Classic World of Darkness” como é agora designado) incluindo livros novos para Vampire: the Masquerade (Vampire Companion, Hunter’s Hunted 2, Children of the Revolution, etc.) e os livros de convenção por publicar para Mage: the Ascension.

    A WW/CCP até criou uma linha editorial nova chamada Onyx Path Publishing para levar esses projetos à fruição.

    Não sei se sabes mas acho que o Malcom Sheppard, que já escreveu para o NWoD, chegou a criar uma espécie de retro-clone do sistema Storyteller chamado “Opening the Dark” em OGL há uns anos. Entretanto retirou-o da internet por uma questão qualquer de direitos.🙂

  2. Não sei se pode ser considerado Oldschool, talvez pela marca, mas não pelo game style. Em relação ao sistema, tudo ainda é bem semelhante; não mudou muito a experiência de jogo, no entanto, é quase Inânime a preferencia pelo novo sistema.

    Eu sou um grande fã do novo cenário, mas também gosto bastante do antigo (principalmente Wraith e Mago), mas o Novo WOD me mostrou um tipo de jogo que sentia falta no antigo, um jogo que me lembrava os monstros clássicos dos livros e filmes que gostava, com aquela mesmo atmosfera de horror. Como o diz o próprio Matt McFarland, o antigo tem uma puxada pra ação, e o novo tem uma puxada pro mito.

    Como o Jr Mariano disse ai em cima, a WW não abandonou o Classic WOD, eles continuam produzindo livros, mas, claro, não como antes. Agora só fazem POD e PDF.

  3. João e John (redundância?): concordo com vocês. Mas quanto ao estilo: realmente, se nós jogássemos o velho WoD como ele foi feito (pra ser um jogo de “horror pessoal”), não haveria diferenças; acontece que as pessoas que eu conheço, jogo e ouvi falar sempre usavam o sistema pra simular um “x-men”, conforme eu citei as disciplinas como superpoderes no post. Quem jogava como jogo de horror mesmo não vê diferença nenhuma. Mas eu vejo!

    E enquanto a WW (ou quem quer que seja que publique) se mantiver publicando apenas PDF ou POD (dois formatos que não são completamente acessíveis ao Brasil), os jogadores exclusivamente lusófonos continuarão a ter acesso restrito ao material, o que justifica a união dos blogs em prol do cenário.

  4. “PDF ou POD (dois formatos que não são completamente acessíveis ao Brasil)”

    Bem, BIG, aí está uma coisa que talvez me possas elucidar: porque é que esses formatos são difíceis de se adquirir aí no Brasil? É por serem baseados em compras através da internet, um meio no qual os fãs não confiam, ou porque a DrivethruRPG torna bastante dispendioso o envio dos livros para os consumidores brasileiros?

    1. Os fãs confiam em compras pela internet, João. Muita gente usa o Drivethru, inclusive. O problema é que muitas vezes, as editoras fazem restrições de envios para o país; Além de obrigar os compradores a por vezes, pagar bem mais caro pela entrega, e em dólar, o que é bem desfavorável em relação ao Real. Isso sem citar os malabarismos com a alfândega…

      Por exemplo, o livro “A Penny for my thoughts”, do Paul Tevis, custa cerca de 8 dólares em PDF. SE eu tivesse um cartão internacional (outra coisa que não está acessível ao jogador de RPG mediano no Brasil), poderia pagar numa boa. O salário mínimo no Brasil (que é o que eu ganho, por exemplo) é atualmente equivalente a 342 dólares, então isso não pesaria (muito) no meu orçamento. Mas se eu quisesse pagar pelo POD, teria que desembolsar 50 dólares, o que abalaria consideravelmente meu orçamento.

      Claro, quem tem uma renda melhor, ou um inglês melhor, não se importa em importar (INCEPTION!). Mas infelizmente, muitas pessoas aqui no Brasil pirateiam livros baratos e acessíveis, quanto mais livros inacessíveis como os POD.

    1. EXCELENTE! Vou editar o post e adicionar o link! Tem um bannerzinho pra mandar pra gente não, hein? haha

  5. Então, como os camaradas aí acima também não considero o WoD old School não. Pelo menos não segundo a definição que o pessoal mais costuma utilizar.

    Eu acho que a maior diferença entre o antigo e o novo WoD, pelo pouco que li dos novos, é aquele ar apocalíptico. A sensação de que a areia da ampulheta está acabando e você se vê cada vez mais de mão atadas, pois os acontecimentos são grandes demais!

    Pelo que o pessoal tem falado e pelo que li, o novo passou a focar um horror um pouco mais localizado, sem aquela visão macro que tinha no WoD (por favor, corrijam-me se eu estiver falando besteira).

    Pra finalizar, o WoD clássico é tão bom, que ele simplesmente ofuscou os lançamentos mais atuais. Prova disso é o relançamento das versões 20, e os recentes livros de conversões e tal. A WW quis emplacar outro, mas acho que está dando o braço a torcer!

    abraços!

    Daniel

  6. Tá, vamos por partes.

    Primeiro, discordo de você quanto ao lance de Old School. Principalmente com os lançamentos de 20 anos e os novos suplementos, o cenário do Clássico Mundo das Trevas está sendo atualizado. Eu jogo o Clássico e o Novo, e a diferença entre eles, para além do sistema, é a abordagem. Enquanto no Clássico você podia usar ou ignorar todo o metaplot nas suas campanhas como fosse mais divertido, no Novo, o metaplot simplesmente não existe. Se é melhor ou pior eu não sei, creio que depende de cada um. O Novo tem uma pegada mais “faça o que você quiser”, enquanto o Clássico tem uma pegada “faça o que você quiser, mas se quiser seguir o cenário oficial, temos muitas informações do que acontece ao redor do mundo pra usar na sua mesa”. E ainda tem o negócio de “a qualquer momento o mundo vai acabar, a responsabilidade é de cada um de vocês, então se preparem”.

    Quanto à dificuldade de se encontrar material, bem, foi por isso que o Livro dos Espelhos surgiu – para ajudar o pessoal a encontrar material de referência para Clássico Mundo das Trevas sem, como infelizmente fazem as traduções amadoras, infringir as leis brasileiras de direitos autorais e nem a Convenção de Berna, que trata dos direitos autorais, inclusive de traduções, e do qual o Brasil é signatário. Sim, as traduções feitas por fãs tem sua importância na divulgação do cenário, mas, são ilegais (lembrando que ser ilegal e ser crime são coisas diferentes, mas sim, quem propaga, difunde ou mesmo realiza pode, tecnicamente, ser processado pela White Wolf ou pelo detentor dos direitos de tradução). Não vou entrar no mérito da minha opinião pessoal a respeito disso, mas no blog atentamos para as regras brasileiras, que permitem a cópia e utilização de “pequenos trechos”.

    Foi por isso que, ao longo dos posts, começamos a indicar os links da Drive Thru RPG onde o pessoal pode adquirir os livros. Eu sou uma grande compradora de livros de RPG através do Ebay, da Amazon e da Drive Thru, e sim, a taxa de entrega é muito alta para o Brasil.

    Mas, creio que um grande problema da tradução desses livros para o Brasil… bem, é a Devir. Eles compram e “sentam em cima” dos direitos de tradução para língua portuguesa, e por questões deles, de modelos de negócios e visão de mercado, acabam não lançando quase nada.

    Agora, quanto ao que eu prefiro… como disse, jogo os dois. Mas sou absolutamente apaixonada pelo Classic WoD, tanto cenário quanto sistema. Não acredito na coisa “super poderes”, como você colocou, e nem vejo nada de (muito) errado com isso – o Narrador e os jogadores da mesa é que sabem o quanto querem se apegar ao sistema e ao cenário e o quanto querem mudar, em nome da diversão do grupo. E a prova de que o cWoD não foi esquecido é não só os lançamentos de 20 anos, e os novos suplementos, como, bem, o MMO da CCP/White Wolf será baseado no cenário de CWoD, e isso já quer dizer muita coisa.

    Beijos,
    Eva

    P.S.: ei, não são “meninas do livrodosespelhos.com” hahaha. Embora eu fale mais do que todo mundo, simplesmente por ser a editora e social media do blog, somos um grupo misto, com duas mulheres (Emi e eu) e dois homens ( Max e Vivas). E valeu mesmo pelo link🙂

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