Porque troquei a 4E pelo Tormenta RPG

Esse é um tipo de desabafo que escrevi para o ex-Paragônico Dan Ramos, que ele pensou em usar como post no Paragons. Mas como ele nunca postou, e acabou saindo do blog, resolvi publicar aqui mesmo, no ZUADA!.

Saibam então os meus motivos:

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Eu comprei a 4E logo que saiu em português. Estava com uma campanha de 3.5 em andamento, e curioso para conhecer as novidades da edição. Confesso que no início, queria dizer para mim mesmo que só compraria o “Livro do Jogador”, queria apenas “conhecer as regras”, me recusava a admitir que queria “migrar” para a polêmica quarta edição. Mas a atitude de um jogador meu, que é muito amigo, mas é um combista inveterado, me fez mudar de ideia. Ali, naquele “novo jogo”, não haveria nada de “combos quebrados de Talentos roubados” + “Bárbaro Frenético”. Seria um sistema equilibrado, onde todas as classes teriam as mesmas possibilidades e nenhum personagem seria autosuficiente, uma tendência que eu considero um ponto negativo, explorado pelos amantes de 3ª edição.

Mas deu tudo errado…

O jogo travou. Acredito que a culpa não tenha sido do sistema, e sim da maneira como eu e meus companheiros de mesa lidamos com ele. Sentimos que muito do que queríamos fazer nos era restringido pelo sistema, ainda mais por estarmos jogando ainda na 3ª edição de Forgotten Realms, e não termos avançado o tempo para Spell Plague, etc. A campanha acabou por falta de interesse, e até minha mudança aqui para o interior do RJ, não consegui rolar mais do que UMA aventura seguida de 4E. Fiquei tão frustrado que vendi os quatro livros que eu tinha, antes de embarcar para o Sudeste…

Quando aqui cheguei, vagando pelos Orkuts da vida em busca de um grupo, percebi que a galera não gostava muito da 4E, e então resolvi dar “downgrade” para a terceira edição. eu não tinha os livros quando jogava (era xerocado! :X), mas com a grana da venda da 4E, decidi adquirir pelo menos o “Livro do Jogador 3.5” e o “Livro dos Monstros”. Que inocente! O ÚNICO exemplar do LdJ que achei na internet custava R$ 90,00! Fora o resto dos livros…

Então descobri o Tormenta RPG…

A princípio, fiquei com um pé atrás; Sou muito fã do Trio, lia a DB desde o primeiro número, porém nunca fui muito admirador de Tormenta, exceto por Holy Avenger. E eu tinha medo de comprar o livro e ter que obrigatoriamente jogar num cenário que não me agradava, em absoluto. Mas depois de ler umas resenhas no dot20 e no Roleplayer, me decidi: Investi parte do dinheiro da venda da 4E no Tormenta RPG. E não me arrependi.

A primeira mudança que eu senti foi o ritmo de jogo. Eu joguei por quatro domingos seguidos, algo que nunca mais havia acontecido. Não tenho certeza que isso foi por causa do sistema, mas quero acreditar que o tempo que deixamos de perder construindo personagens e preenchendo cartões de poderes tenha influenciado de alguma forma. Não, não usava Character Builder…

Outro ponto positivo foi o fato de que eu não precisava comprar mais nenhum livro; Estava tudo lá: Regras para o Mestre, monstros, itens mágicos… e a boa e velha liberdade que estava acostumado da 3ª edição, mas sem os combos mirabolantes de outrora. Me senti jogando D&Dzinho da Grow novamente, com aquela ingenuidade de quem escolhe os monstros para desafiar os jogadores por que vai ser mais divertido, e não porque “se não escolher direito, fica fácil demais…”

A minha campanha parou novamente. Mas dessa vez, não por conta do jogo, e sim por causa das férias. Pretendo reiniciá-la em breve. E quem sabe um dia, ela terá um fim. O fim que ela merece, e que meus jogadores esperam.

P.S: Nem tive tempo de pegar coisas como “Essentials”. Se tivesse, teria ficado com mais raiva ainda!

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E que começe a Edition Wars!

Abraços!

21 comentários sobre “Porque troquei a 4E pelo Tormenta RPG

  1. É possível que o Essentials saia no Brasil. Sinceramente acho ele muito mais prático, principalmente no esquema das cartinhas.

    Mas se você já está satisfeito com o Tormenda d20 realmente não há porque mudar.

  2. Seu comentário é bem interessante por ser de alguém que saiu da 4E e veio jogar TRPG. É o único do tipo que vi até agora.
    Tá certo que as vendas do TRPG, comprovam que o brasileiro aderiu a ele como alternativa a 4E.
    Eu particularmente não fui pra 4E pela sacanagem que fizeram. Tantos suplementos ainda para serem lançados aqui, eles mudam e os suplementos nunca aparecerão por aqui.
    Fiquei com o TRPG porque é uma versão mais barata da 3E e com algums problemas resolvidos. O sistema é mais rápido e tal.
    Adorei o post, serve para mostrar a qualidade do RPG nacional frente ao gringo.

  3. É muito legal ver pontos de vista diferentes sobre as experiências com o D&D: sobre pessoas que trocaram a 4ª Edição por outro sistema, pessoas que estavam cheios da 3ª Edição e abraçaram a 4ª e são felizes, pessoas que não largaram a 3ª Edição e pessoas que trocou a 3ª pelo pathfinder.Se o discurso não envolver a depreciação da opinião de “outrem”, o assunto fica riquíssimo.
    E viva a diferença.
    PS: Eu sai do AD&D direto para a 4ª e sou daqueles que apreciou essa edição.
    PS2: O Tio Nitro tem uma teoria que concordo plenamente: Quando vc for aderir a um sistema novo, esqueça esse papo de adaptar a campanha para ele. Quase nunca dá certo.

  4. Saudaçoes!
    Eu tbm nao jogo mais 4E embora por motivos completamente diferentes. Inclusive, tenho algumas ressalvas pelo que voce falou.
    Como o próprio Cassaro falou, TRPG nao teve playtest. E isso pode ser visto de diversas formas no sistema. Ele é muito fácil de combar e quebrar, muito mais que a 3.5. A sua ingenuidade com o sistema faz parte da novidade. (Continuo depois)

  5. lá pessoal

    Olha eu fui uma das pessoas que migrou para a 4E. Isso se deve que o meu grupo de jogo teve acesso a TUDO que a Wizards lançou no 3.0/3.5 e por isso estávamos saturados de combos, regras quebradas e a corrida armamentista que havia entre os jogadores contra o mestre.

    Então surgiu a D&D 4E e nele pude ver a diminuição das regras quebradas, não havia mais uma corrida armamentista, mas claro tudo é minha opinião. E como disse o Mike no post acima se você gostou do TRPG e gosta do 3.5 fique com esse RPGs, pois não há RPG melhor OU pior que outro. Mas sim RPGs diferentes.

    Para mim o 4E é um sistema ideal e faz mais de 3 anos que jogo com ele em aventuras muito divertidas e legais. Não troco por ora ele por nenhum outro sistema.

    Até mais

  6. Muito bom o post. Vou ver se consigo comprar Tormenta RPG na RPGcon deste ano. Nunca fui um grande fã do cenário, mas acho que vale a pena dar mais uma chance para o famoso trio.

  7. Ótimo artigo.
    Isso é o que faz um RPGista de verdade. Ao inves de ficar reclamando e chorando, pagando uma de “viuvinha da edição passada”. Ele vai lá, joga o que encaixa com o estilo dele e é feliz!
    Acho que vc se daria muito bem com o Old Dragon também, cara.

    E realmente, sem o Character Builder é uma tortura fazer PJ de 4e. E eu fui além disso, puxei esta parte ao extremo: O grupo fez PJs Á Mão, com atributos Rolados, Em Dark Sun e a maioria do grupo era iniciante na 4e. Se vc procurar a palavra Paciencia no dicionario tem uma foto minha tirada nesse dia!
    O Rafa tem razão, o Essential simplificou esta parte pois são menos poderes pra escolher. Se fosse pra repetir aquela dose eu usaria o Essentials.
    No mais, o importante é jogar RPG!

  8. Puxa Big, no meio da correria e falta de tempo nas últimas semanas, acabei não publicando seu texto mesmo, e peço muitas desculpas por não ter retornado.

    Mas eu entendo realmente os seus motivos. Eu ainda estou organizando o sistema que vou adotar como o meu principal, mas ele será algo entre o TRPG, SW Saga e PFinder quando terminar. Uma salada sem vergonha, eu sei, mas é a MINHA salada. =P

    O Mike e o tio Nitro que tem razão, by the way. Mudar uma campanha de sistema é um troço que nunca dá certo, principalmente da 3E pra 4E. Quase estraguei 2 campanhas com isso.

    1. Sem grilo, Dan! Eu imaginei que você estava ocupado, fora os “freelas”, teve a saida do Paraga…

      Obrigado pelo comentário!

  9. Praticamente migrei do A&D pro 4E, passando rapidamente pelo 3.0. Gostei do post pois não depreciou nenhum sistema. Considero a 4ª edição muito travadona, mas com o tempo decidi subjulgar as regras, deixando a mecânica secundária em relação ao que está acontecendo no mundo de jogo. Isso deixou o ritmo de jogo bem melhor e mais fluido. O problema é mesmo a criação dos personagens. Haja paciência! O texto me deu vontade de comprar Tormenta pra dar uma conferida. Abraço.

  10. Atualmente estou jogando uma campanha de 4E (DarkSun, melhor cenário lançado para 4E até agora na minha opinião) e mestrando uma de TormentaRPG (em Arton “atual”) e uma de Pathfinder (Golarion, Curse of the Crimson Throne). Além disso mestrei umas aventuras com Old Dragon que ficaram ótimas!

    Eu tenho sérias dúvidas de qual dos sistemas d20 gosto mais. Tem coisas que eu amo no Pathfinder, mas tenho medo de que quando os personagens chegarem em níveis altos o jogo fique complexo demais. Coisa que não aconteceria em Tormenta RPG, que é mais simplificado e rápido (e tem regras realmente novas, mais simples e interessantes).

    Meus jogos de 4E até agora variaram do extremamente divertido para o terrivelmente monotono, então fica dificil julgar o sistema como um todo.

    Se eu fosse mestrar uma campanha, não escolheria 4E, não combina muito com meu estilo de jogo, mas não acho que o sistema é ruim não.

  11. Interessante o seu post. Quando me falou dele, eu imaginava um discurso mais crítico com relação ao produto. Mas o que li aqui é bem imparcial, revelando a frustração de um mestre por ter comprado o jogo em má hora, hehe.
    Na verdade, você quase me convenceu a mestrar a 4E depois de ler isso… Mas não me rendi e vou comprar a TRPG mesmo. Sou muito fã de OGL…

  12. Gostei muito do post, realmente como comentaram, foi imparcial, sem depreciar nenhum sistema, você conseguiu alcançar seu objetivo de passar sua explicação do porquê fez a troca sem ser trollador, parabéns!

    1. Fico feliz com o sua presença, Lagame!

      E a minha intenção foi essa, mostrar o que eu sinto pelos sistemas, sem trollar nenhum…

      (Só o 3.5)

      Abraços e volte sempre!

  13. Ah, varia bastante… Eu tenho todos livros lançados em português de 4E, além de todos de Tormenta RPG (inclusive recebi ontem meu Bestiário) e Dragon Age RPG.
    Eu gosto de todos, cada um com suas características… Mas aqui com o pessoal com quem “jogo” não tá rolando nada. TRPG teve uma sessão e acabou, Dragon Age mesma coisa e 4E foi pro mesmo caminho.
    Quando vou jogar algo, eu primo por um sistema de fácil entendimento. 4E tem seus 38298392 poderes, mas uma vez entendido o conceito, e só escolher e pronto. Questões interpretativas, quem faz é o mestre e os jogadores. O que tem o sistema não exigir que você interprete seus golpes? Como mestre, você pode recompensar os jogadores por isso, fazendo com que se empenhem.
    TRPG tb é muito limpo, mas joguei bem menos pra poder ter uma boa opinião de prática. É gostoso de jogar também, ainda tem aquele clima de 3E, que foi o sistema que mais joguei e me diverti demais.
    No mais, gostei do post.

  14. O principal problema que vejo ultimamente com TORMENTA RPG é o cenário. Na verdade não é ele como um todo, mas as mudanças que ocorreram nele recentemente. Muita coisa aconteceu simplesmente para dar novos ganchos para mestres, mas esses acontecimentos foram mal elaborados/explicados, como por exemplo as Guerras Táuricas.

    Quando você quiser se aprofundar TRPG você vai ver que o livro básico é insuficiente. Já tem três suplementos lançados (Valkaria Cidade Soba a Deusa; Guerras Táuricas; Expedição à Aliança Negra) e o Bestiário(lançado no dia 25/04)).
    Segundo o site da Editora Jambô, mais 5 suplemntos serão lançados.
    Se você quiser entender – bem – as últimas mudanças do cenário é recomendável comprar os romances escritos por Leonel Caldela (Inimigo do Mundo, O Crânio e o Corvo e O Terceiro Deus).
    No fim disso tudo, é um investimento pesado.

    Como sistema, TRPG funciona bem. Mas em minha mesa, é tão sinistro quanto os outros, uma vez que meus jogadores buscam combos que desequilibram o grupo, aí eu tenho que intervir.

    No fim, para mestrar: Tormenta RPG. // Para jogar: D&D4E. – gostei da nova mecânica do jogo. Um investimento que vale a pena.

  15. Pelo texto Não consegui entender oque faz o Tormenta tão superior assim ao d&d 4 ,3.5 ou Pathfinder por exemplo
    As razões citadas no texto são sempre fatores externos ao sistema e nenhum detalhe ou exemplo foi dado

    Não estou reclamando de nada,apenas tentando entender melhor a escolha por este sistema

    1. Realmente, Carlos, não vai encontrar nada sobre Tormenta RPG ser superior aos outros citados, porque não foi essa a minha intenção. Esse post tras minha opinião pessoal, e os motivos explanados servem para resolver os MEUS problemas com as edições que você citou, a saber:

      – Pathfinder não existe em Português; Apesar de ler e entender perfeitamente o inglês, prefiro RPG´s em Português

      – D&D 3.5 Só está acessivel pra quem já tem ou usa PDF, coisa que sou totalmente contra; Não baixo um livro que eu não possua fisicamente; Além do mais, dá pra jogar TRPG com um só livro, enquanto na 3.5 vc precisaria de trocentos, só pra criar personagens apelões…

      – 4E é muito rígida, muito certinha… e isso vai totalmente contra meu pensamento “old School” de abraçar o caos.

      E concordo: Interpretação independe do sistema. Eu exigia e interpretava até jogando Hero Quest!

      Abraços e volte sempre!

  16. Estou jogando Tormenta RPG, mestrando uma de 4E e jogando outra de 4E. Bem, Tormenta RPG já ganhou meu carinho como segundo 3 rpg que mais gostei de jogar até hoje. Cenário Tormenta é o meu predileto, muito mesmo pelo que significou a mim e meu grupo do que pelo cenário como está. (Ainda sim, gostei muito da parte atual de Tormenta \,,/,), Resolvi testar a 4E baixando um pdf em inglês, gostei comprei os livros (ganhei outros em eventos), hoje sou MUITO viciado na 4E, ainda não joguei, nem me interessei pela linha Essentials, mas o fato de ter um grupo equilibrado, onde o desequilíbrio vem na forma que se enxerga um combate, me cativou muito.

    Top sistemas minha opnião
    1-4E
    2-3D&T (Não jogo mais, mas fiquei 8 anos jogando)
    3-Tormenta RPG (MUIIIITO BOM, na verdade foi o investimento mais legal e BARATO que fiz!!)
    4-Mutants and Masterminds (bem divertido o lance dos poderes)

  17. Compreio o Tormena RPG, e pra ser cinsero. Gostei bastante, comecei uma campanha do primeiro nivel.(o grupo ja esta no 6), mas essa questao dos combos mirabolantes ainda existem…, em especial porque as multiclasses se tornaram melhor do que investir todos os niveis numa unica classe.

    Por exemplo, um swasbuclker, pega uns niveis em feiticeiro ou bardo.. fica muito apelao.. facinho consegue uma CA muito alta( digo, coisa de pegar em torno dos 30 em 5° nivel, e uns 23 no 1° nivel). Fora o ranger, que simplesmente é muito apelao..

    um arqueiro ranger elfo, consegue facillmente um acerto alto, fora os 2hits. e o dano extra do inimigo..
    em lv 5, o do meu grupo causava 2 ataques com +11 para acerto, e dano de 1d6+10(sem contar ionimigo) em cada ataque…

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