Básico ou Suplementos?

Jogo esses só com os básicos!

Isso sempre me deu uma dor de cabeça, desde 1993. E de uns tempos pra cá, uma dor no bolso: Suplementos. Quando comprá-los, quando usá-los… e o mais importante: quando NÃO usá-los!

Jogo RPG desde o tempo que “suplemento” significava EXATAMENTE isso: uma coisa que não é obrigatória, algo que vem complementar o que você já tem. Tanto que do meu primeiro RPG adquirido com o suor do rosto, o AD&D da Abril Jovem, eu comprei os seguintes suplementos: Forgotten Realms Cenário de Campanha, Ruínas de Undermountain e o Livro Completo do Guerreiro (esse último, que deus o tenha); Eram divertidíssimos de ser ter e ler, mas totalmente desnecessários para jogar. Acho que o poder do “suplemento” deveria ser esse mesmo: Algo que não é imprescindível, mas que é bacana. Tirando a dor nas costas de ter que levar milhares de livros na mochila, é claro…

Eu particularmente gosto de suplementos assim: Dão opções de jogo, sem torná-los “obrigatórios”; Afinal, eu nunca tive orçamento suficiente para comprar centenas de reais de RPG por ano, imagine pra um jogo só! Prefiro ter vários básicos do que um básico e zilhões de suplementos.

Nesse post, eu analiso alguns RPGs antigos e recentes, e o modo como eles encaram os suplementos:

GURPS e os “suplementos básicos”

Quem não se deliciou ao ler suplementos de GURPS como “Viagem no Tempo” e “Illuminatti”, com suas dezenas de ideias para campanha? Quem não penou para entender as complicadas (mas empolgantes) regras de “Cyberpunk” para implantes cibernéticos e “netrunning”? O GURPS é um caso em que os suplementos são “quase-básicos”; Afinal, você pode rolar um Supers sem o suplemento, mas fica muito mais divertido com ele!

3D&T: Os suplementos vieram antes!

É isso mesmo: Quem acompanha o RPG no Brasil há algum tempo, sabe que o 3D&T, do Marcelo Cassaro, começou como pequenos suplementos em edições especiais da Dragão Brasil – como Street Fighter, Mortal Kombat e MegaMan. Só depois, em 1999, as regras foram sendo compiladas em um Manual 3D&T, depois Turbinado, Bombado, etc… até chegar à edição definitiva, o Manual 3D&T Alpha. Aqui está um caso onde você TINHA que ter o suplemento para poder jogar!

D&D 3ª Edição: A apelação

Os suplementos de D&D Terceira Edição (é bobagem falar 3.5 ou 3.0, na prática, são a mesma coisa…) eram os mais bacanas já traduzidos para o português: Boas ilustrações, material de primeira… mas eles carregavam consigo a mácula que fez a edição degringolar de vez nos EUA: Cada novo suplemento trazia Talentos, equipamentos, Classes de Prestígio, magias, etc, que com o passar dos anos, quebrou o jogo. Nos extertores da Terceira Edição, você precisava de uns doze livros pra fazer um personagem que fosse equiparável aos dos seus amigos. Um tipo de “guerra armamentista RPGística”, portanto.

D&D 4E: Retalhando os Básicos

Já era uma tendência da Terceira Edição, mas a 4E jogou a prudência às favas e despirocou de vez: Livro do Jogador I, II e III, assim como Guia do Mestre e Manual dos Monstros… Tá certo, 4ELovers, dá pra jogar só com os três básicos, eu sei… mas quando eu percebi que para ter em meu jogo as classes que tornaram minhas campanhas memoráveis (Bárbaro, Bardo…) eu precisava de um SEGUNDO livro do jogador, desisti. Vendi meus livros e comprei um Tormenta RPG!

Old Dragon: Suplemento? Pra quê?

A excelente iniciativa do Antônio Sá Neto e do Fabiano Neme remete ao AD&D da Abril, e do mesmo modo que ele, manda os suplementos passearem: Tudo que você precisa tá lá, e se você quiser mais coisas, elas existem. Mas não são necessárias.

Esse é definitivamente o tipo de RPG que está me atraindo no momento: Sem muita frescura, e que não ocupa muito espaço na mochila e no orçamento. Chega de dor na coluna!

O Futuro: iPad?

Pode ser que, com a tecnologia chegando ao RPG (coisinhas à toa como Taulukko, D&DInsider e iPad), o modo de encarar os suplementos de RPG mude; Pois você terá o material que precisa mais acessível, e a desculpa de ter que procurar regras específicas em livros obscuros não se use mais. E então? O que poderia acontecer com nosso hobby, se TODOS os suplementos estivessem ao nosso alcance, ao mesmo tempo?

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7 comentários sobre “Básico ou Suplementos?

  1. Ainda tenho os meus de GURPS e não os trocaria por nada…
    Tirei coisas do GURPS Illuminati que serviram para a vida [só não ando com chapéu de estanho, é óbvio].

    Melhor coleção de suplementos de RPG, na minha opinião.

    Os de D&D 3 eram bem legais, mas em D&D não supera os da 4º edição.

    1. Eu como o amigo ai em cima ainda tenho meus gurps. Pelo menos o gurps iluminaty e o gurps MB capa branca (2 edição).
      Tenho os 3 livros basicos da 3.0.
      Tenho o TOrmenta RPG e muitos usplementos desse distema.
      Alem disso tenho os romances de forgottem Dragonlance e de Tormenta.

    2. Sim, depois da 3ª edição, os melhores livros com certeza são os da 4e, pelo menos em qualidade gráfica!

  2. Concordo com seu ponto de vista. Só acrescentaria uma observação. Os suplementos de Gurps são realmente suplementos, no sentido de podermos jogar qualquer tipo de aventura sem precisar de nada mais que os básicos. São muito bem escritos e com certeza uma fonte de informação e idéias incrível(tanto que já usei algumas coisas com outros sistemas). É essa qualidade intrínseca que os tornam necessários (não o sistema…)

    1. Sim, com o eu disse, você pode jogar Supers sem o suplemento, mas com ele fica muito mais divertido!

      Volte sempre!

  3. Salve, Big,

    Se eu puder ter os suplementos que me ajudem a criar uma aventura divertida para todos, o farei. Daí, quanto menos peso e coisas eu tiver de levar para um lado e para o outro, melhor ainda.

    Então, fico com o iPad (que já deveria ter chegado aqui em casa, mas a receita federal do estado é sacana e ainda não liberou ;/)

    Até

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