Errar é divertido!

Ops!

Nesses quase vinte anos de RPG, poucas coisas conseguem tirar mais o meu ânimo do que personagens perfeitos, que nunca falham e sempre conseguem o que almejam.

Não é mimimi de mestre que não consegue desafiar os jogadores; Eu simplemente não vejo graça nenhuma na falta de aleatoriedade: em alguns RPG’s, em certo ponto do jogo, o cara é tão foda que ele só joga o dado pra ver se é falha crítica ou acerto crítico…

Tudo bem, a perfeição e o “fodatismo” (inventei essa agora!) pode ser a meta de boa parte dos jogadores de RPG. Mas pelo bem do divertimento e da história que está sendo contada, o ideal seria sempre haver a chance de falha.

Qualquer excesso é veneno: do mesmo modo que é frustrante sempre acertar, não acertar quase nunca também é chato. Lembro das aventuras de Pokémon 3D&T das antigas (quem não jogou esse?), onde você pegava um monstro com Habilidade 1 ou 2, e se ferrava a maior parte do tempo, embora quando você (por um milagre) conseguisse acertar, a comemoração era geral.

Esse é o espírito.

Vejo o esforço do sistema Gunshoe, por exemplo, de fornecer sucessos automáticos. Você tem a habilidade correta, está no lugar certo, na hora certa, então ela funciona. Embora alguns jogadores possam achar que isso deixa o jogo “linear” demais, o estilo de jogo que ele defende precisa disso. Até aí, tudo bem. O problema é: quanto tempo vai demorar para que algum “Jênio” tente aplicar isso aos combates, nesse ou noutros sistemas? Afinal, o guerreiro dele tem Força 22, uma espada mágica +5 e está no 17º nível… por que ele precisa jogar o dado para saber se ele consegue decapitar no troll?

Simplesmente, porque é divertido!

O erro abre caminho para a comédia, o drama, o ódio… a interpretação. Muito mais empolgante do que interpretar os golpes precisos e infalíveis daquele guerreiro, é fazer a mesa toda rir com o seu bárbaro que xinga os orcs porque não consegue acertá-los (“Orc maldito! Fique parado que eu possa cortá-lo ao meio!”).

Por isso e por muito mais, valorize o erro… Porque se você errar, vai tentar uma, duas vezes… até acertar. E quando isso acontecer, a sensação de vitória será maior.

Ou você pode errar todas. E se o mestre for um cara sensato, ele não vai matar o personagem por isso: vai te dar a chance de reparar os seus erros, enriquecendo ainda mais a trama.

Mas se você acerta tudo sempre… o máximo que o mestre pode dizer, com uma voz de enfado, é: Parabéns, você venceu. De novo.

Até a próxima!

6 comentários sobre “Errar é divertido!

  1. E aê Rodrigo! Beleza?
    Certo dia (muito tempo diga-se de passagem) você mestrou para nós, galera da Rua Padre Frota, até o Alfredo tava junto, mas por algum motivo o jogo não durou muito. Nas suas palavras, “vocês são muito estranhos…” e desde então me pergunto o que isso poderia significar, kkkkkkkkkkkkkkkk!

    Venho acompanhado su blog a um bom tempo, resolvi postar só agora.

    Nas vezes em que eu mestrava, procurava sempre manter uma lógica de desafio. Se era fácil, colocava inimigos nos quais os PJs acertariam 80% das vezes, se era médio, 50%, se era dificil… melhor fugir, embora quase nunca eles percebessem isso (meu time era daqueles que nunca pensavam na possilidade de fugir, pra eles todo monstro que eu colocava no jogo podia ser destruido de algum modo; que me deixava puto, claro!)

    Você poderia fazer um post sobre como preparar encontros nos quais os PJs deveriam enfrentar dezenas de inimigos! Sempre tive problemas em criar desafios como esse.

    Valeu, abraço!

  2. Olá!
    Concordo. Odeio os sistemas que, após acumular um trilhão de benefícios combados, tornam o personagem “invencível”. De fato um bom sistema se preocupa em dizer e dar opções para evitar estes “furos” matemáticos, ou mesmo busca excluí-los da sua mecânica. É obvio que muitas situações onde o personagem de fato é bom podem ser resolvidas com o bom senso, mas dá a opção da aleatoriedade sempre gera as sitiações inusitadas que é gostoso de ver em mesa.😀

    Até and Bye…

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