Terei errado?

Encontros Aleatórios

Esse post ficou perdido nos sótãos cheios de teias de aranha da minha memória porca, mas depois de ler o excelente post do Erick Patrick, no RPG do Mestre, ele voltou. Vamos falar de encontros aleatórios e monstros errantes, beleza. Mas enquanto o assunto principal não aparece, deixe-me chover no molhado e analisar o que diabos é um “encontro aleatório”.

Não tive paciência de pesquisar, mas acredito que essa técnica/prática se restrinja ao Dungeons & Dragons mesmo (sendo depois copiado por trocentos jogos de videogame), principalmente as edições mais antigas. Não lembro de ter visto uma tabela em Vampiro escrito “1-2: 1d10 Ravnos”, ou algo do tipo… o fato é que é uma prática utilizada para ensinar aos mestres iniciantes a respeito do caos numa partida de RPG: Nem tudo pode ser controlado e medido, senão fica previsível demais.

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Experiência: Os Jogadores Decidem

Falar como Yoda difícil é!

Você joga um “jogo de interpretação”.

Você só recebe experiência por matar montros?

Você está fazendo isso errado!

Claro, cada mestre distribui experiência -  o combustível de qualquer herói! – na medida que quiser, da forma que desejar, pelos mais variáveis métodos de avaliação de mérito. O RPG do Mestre trouxe recentemente um post chamado “Dar Experiencia pelo que?”, onde o Erick Patrick demonstra como ele premia seus personagens.

Até certo tempo atrás, em minhas campanhas de D&D, eu sempre tive o hábito de premiar interpretação, boas ideias, trabalho em grupo, etc… Mas o que me incomodava era que o julgamento feito por mim por vezes não agradava o jogador (isso sem falar da minha memória ruinzinha para coisa recentes…). Também estava insatisfeito com o ritmo da evolução, coisa que é muito importante para minha campanha. Até que o Diogo Ainencaitar, jogador do meu novo grupo, mestrou para nós o excelente Star Wars Saga, e no final da sessão (que teve um só combate, diga-se de passagem) me apresentou o seu já costumeiro método de premiação de experiência…

É o seguinte: O jogador em questão nomeia para si uma nota (de 0 a 100), dizendo porque merece essa nota. Cada jogador do grupo decide por si mesmo se segue a nota “pedida” pelo jogador, podendo aumentá-la ou baixá-la à vontade, de preferência, explicando o motivo de estar dando aquela nota. A quantidade de experiência recebida é dada pela média de todas as notas.

Que foda! O mestre não entra no lance, e é uma ótima oportunidade para os jogadores “lavarem a roupa suja”, falando de atitudes que esperavam do personagem em questão. Premia ao mesmo tempo o trabalho em grupo, a interpretação, as atitudes tomadas… Só tem que haver o cuidado pro negócio não virar um bate-boca sem sentido.

Eu, que sou intrometido e xereta, adaptei o método para minha campanha e meu sistema: Na minha mesa, as notas vão de 0 a 50, e a média final é multiplicada pelo nível atual do personagem. Desse modo, o equilibrio da evolução é mantido; Afinal, 100 XP para um personagem de 15 nível não é nada, mas 1500 já é alguma coisa!

Então? O que acharam? Deixem sua opinião! E testem, pra ver o que acontece!

Abraços!

P.S: A quem interessar possa, o blog do Diogo, o cara que me inspirou a fazer esse post, é o http://saintpetercity.blogspot.com/

O Segredo do Sucesso: Tormenta

Mapa de Tormenta, by @danramos

Vou dizer pela enésima vez: Apesar de usar as regras de Tormenta RPG como básico e ser fã declarado do Trio, não mestro no mundo de Arton. Gosto pessoal. Também não sou paranóico como alguns “haters” e “Trolls”, que não gostam e propagam aos quatro ventos os motivos do ódio. Admiro muito o trabalho dos dois trios, até acompanho discretamente a evolução do cenário, mas paro por aí. Tormenta, na minha mesa? Nunca mais.

Até semana passada.

Numa bela noite de terça-feira, gravei o vigésimo quarto episódio do Papo de Mestre, do RPG do Mestre, com a ilustre presença do Rogério Saladino. Foram quase duas horas de conversa, e no meio da gravação, o Saladino abriu meus olhos para o que eu imagino ser o grande segredo que faz Tormenta ser o cenário mais jogado do Brasil (além do trabalho duro, é claro): O modo como os clichês são colocados no cenário.

Senão vejamos: Todos (ou a grande maioria dos) clichês de Fantasia Medieval e cenários de campanha fazem parte de Tormenta. Estão lá os Elfos na floresta, os Anões na montanha, os deuses que interferem na vida dos seres humanos, o Grande Mago, Vilões… entre vários e vários outros. O que muda é a maneira como esses clichês são apresentados, transformando uma coisa batida em algo realmente novo…

Os Elfos: Estão na floresta, mas são uma raça decadente sem pátria.

Os Anões: Moram na montanha, mas seu lar é um local secreto e quase inacessível a outras raças.

O Grande Mago: São dois, ao invés de um.

Os Deuses: Um panteão nem muito pequeno, nem muito grande, e bem planejado.

Os Vilões: Um maníaco por itens mágicos e um bugbear que é apoiado por uma profecia são alguns exemplos.

Isso sem citar os exemplos dados pelo Saladino: Você quer jogar com um viking? Tem! Mas eles vivem numa área congelada pela presença da Rainha dos Dragões Brancos! Quer jogar com um Samurai/Ninja? Tem! Mas eles fazem parte de uma sociedade exilada, que aos poucos tenta recuperar sua terra.

Está tudo lá. E tudo tem um motivo.

Em suma, sabemos da dedicação e da coragem dos autores em colocar a cara a tapa e criar um mundo de fantasia. Não é nada fácil. Mas agora percebo um dos motivos desse mundo ser um completo e retumbante sucesso (ao contrário do que afirmam uns e outros).

Criatividade. Pura e simples.

Esse é um bom começo pra quem tenta há tempos desenvolver um cenário/jogo próprio: Faça diferente. Preencha as lacunas, esqueça o “mais do mesmo”. É o que o Marcelo Cassaro costuma dizer no Formspring: Não existe uma “fórmula mágica” para o sucesso de um trabalho. Mas se quer ter sucesso, procure fazer algo diferente, que não foi feito antes…

E quando a ficha finalmente caiu, me deu uma vontade de mestrar Tormenta novamente…

Fui!

Editando Podcasts

Já faz muito tempo que lido com podcasts de RPG – escutei o meu primeiro Vozes da Terceira Terra em Março de 2009, e de lá pra cá já foram mais de 150 episódios , de vários podcasts. Diferente de muita gente da “Podosfera”, nunca ouvi Nerdcast, Rapaduracast, Now Loading e outros desses medalhões. Minha formação é de podcasts de RPG, e por isso, nada mais natural do que escrever sobre eles e criar um deles!

Sou geralmente um ouvinte assíduo, e quando tinha computador e internet de minha propriedade, assinava vários podcasts no iTunes. Agora, com essa minha mudança para o RJ, tive que parar de baixar 18 podcasts por quinzena e resenhá-los aqui. Parei também de editar um – o Protocast, podcast do projeto proteus, cuja primeira edição foi produzida por mim e você pode conferir AQUI.

Mas ainda me restou tempo para PARTICIPAR de um podcast! Além de minha eventual participação no Papo de Mestre, do RPG do Mestre, eu e meus amigos Othon e Hélio gravamos ontem o piloto de um novo podcast de RPG, e passei minhas dicas de como editar podcasts para o Othon, que será o editor. Farei isso aqui também, e se alguém estiver interessado em gravar podcasts de maneira rápida e sem muitos custos/trabalho, mas não tiver ninguém pra editar, tire a bunda da cadeira e pegue essas dicas!

1- Equipamentos

Recomendo 100% o Audacity, que é gratuito, em português e muito bom! Ótimo para quem não entende patavinas de áudio (como eu), o Audacity é tão fácil que chega a ser engraçado. Atente apenas para o fato de que, para exportar seu áudio em MP3, você vai precisarde um Codex chamado Lame, disponível AQUI.

Microfones são geralmente um problema. Se você não tiver microfones profissionais, uma mesa de som ou uma placa com vários canais, fica a dica que aprendi com a galera da DragonFang Guild e seu DFCast: Um  simples headset no meio da mesa resolve tudo! Se ficar o áudio de alguém muito baixo, sem problemas; Resolveremos isso mais à frente…

2- Processos

A parte principal. Pra começo de conversa, grave logo de 10 a 15 segundos de “silêncio absoluto.” Isso vai servir mais à frente, na hora de realizar a limpeza de ruídos do áudio. No mais, vá gravando normalmente, mas aconselho, de vez em quando (cerca de 10-15 minutos, ou quando o assunto der aquela parada natural) a parar a gravação, SALVAR UMA CÓPIA do que já foi gravado e continuar a gravar. Você não sabe o que pode acontecer, e perder uma gravação é mais fácil do que pode parecer (além de ser desmotivador…).

Quando tiver terminado e estiver com um arquivo .AUP de singelos 2GB, vem a parte complicada. Faça uma cópia, por segurança, Recorte e cole todas as faixas de aúdio para que fiquem apenas uma, e mãos à obra!

3- Limpeza

Aqui começa o trampo. Primeiramente, vamos tirar os ruídos de fundo. Para isso, selecione aquele trecho de “silêncio”, vá na aba Efeitos, Remover Ruídos e clique em Perceber Perfil de Ruído. Isso vai dizer ao programa que aqueles pequenos ruidos de fundo – batidas, zumbidos da placa, carros passando ao longe, pessoas falando na sala ao lado, ventiladores – são coisas que devem ser eliminadas do áudio. Depois de perceber o perfil, selecione TODO o áudio, vá novamente em Efeitos, Remover Ruídos, mas dessa vez clique em Remover Ruidos, mais abaixo. Pode demorar um pouco, mas isso vai tornar seu áudio mais limpo. Cuidado apenas com o que você apontar como Perfil de Ruído: Se fizer errado, pode detonar seu áudio. Qualquer problema, use a cópia reserva, ou o bom e velho Ctrl + Z.

4- Comprimindo

Com o áudio todo selecionado, é hora de COMPRIMIR. Isso vai fazer com que os sons que estejam muito baixos aumentem, e fazem o contrário com sons muito altos, além de melhorar sensivelmente a qualidade do som. Aqui é simples: BAIXE a barra de Limiar para -15db, e AUMENTE a de Proporção (Ratio) para 3:1. Depois é só clicar em OK e esperar o efeito ser aplicado. Faça isso duas ou três vezes no máximo. O ideal é duas.

5- Amplificando

Dica do Marcelo Dior, do VTT: Levelator. Se você achava que a voz de seus amigos estava muito baixa ou sumida, você ACHAVA!

O Levelator é simplesmente FANTÁSTICO! Ele coloca TODOS os sons na mesma altura, e aquele carinha que fala quase soprando, vai ficar tão audivel quanto o grandalhão que fala gritando. Para realizar esse “milagre”, é simples: Depois de instalar o programinha, exporte seu áudio em formato .AIFF (um dos poucos aceitos pelo Levelator), clique com o botão direito, vá em Enviar para, Levelator. Pronto! Você terá um novo arquivo OUTPUT, com todos falando no mesmo volume. Exporte de volta para o Audacity, ou apenas arraste pra lá. Você vai se surpreender!

6- Cortando

Agora vem a parte CHATA. Aqui você elimina tudo o que tiver ficado ruim ou deslocado no seu podcast; Use as ferramentas do Audacity se quiser mover um trecho de lugar, caso ele fique melhor num local mais à frente ou mais atrás no seu episódio. Não tenho muitas dicas para dar aqui, você tem que cortar o que ficar inaquedado ou fora de contexto para o assunto que esteja abordando.

7- Colocando Músicas

Arrume uma trilha sonora maneira, seja ela PodSafe (músicas gratuitas que podem ser usadas em qualquer podcast) ou daquela banda que você adora, e vá colocando numa segunda faixa de áudio, usando a opção Exportar. Note apenas que usar músicas com direitos autorais podem infringir certas leis, ficando por sua própria conta e risco. Na boa? Se você não pretende ganhar dinheiro com isso, nem acha que vai chegar na edição 371 e ficar famoso, pode usar Nirvana ou Legião Urbana, que ninguém vai te prender por isso…

Mais uma vez, faça bom uso das ferramentas do programa, nesse caso da ferramenta Envelope (aquela que tem uma linha azul e duas setas, próximo ao botão de REC) para definir onde sua música baixa de volume, de preferência quando vocês começarem a falar, é claro: Caso contrário, ninguém vai te ouvir!

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É isso, galera! Quem sabe postarei mais dicas de gravação e edição de podcasts no futuro? Contem aqui suas dicas, dúvidas, e qualquer coisa que eu tiver feito diferente (ou errado!), avisem!

Inté!